Estudo sugere que erro médico é a terceira maior causa de morte nos EUA.

Médicos defendem mudanças na forma como as mortes são registradas

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Analisando os dados médicos da taxa de mortalidade em um período de oito anos, os especialistas em segurança do paciente calcularam que mais de 250.000 mortes por ano são devidas a erros médicos nos EUA. Os dados do estudo publicado em 3 de maio de 2016 no BMJ, superam os dados do Centro de Doenças e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. De acordo com o CDC a terceira maior causa de morte nos EUA são as doenças respiratórias, que matam cerca de 150.000 pessoas por ano.

A equipe da Universidade Johns Hopkins diz que a maneira do CDC de coletar estatísticas nacionais de saúde não classifica os erros médicos separadamente no atestado de óbito. Os pesquisadores defendem critérios atualizados para classificar a morte por erro medico de maneira separada nos atestados de óbito.

“As taxas de incidência de mortes atribuídas diretamente aos cuidados médicos não foram reconhecidas em nenhum método padronizado de coleta de estatísticas nacionais”, diz Martin Makary, professor de cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins e uma autoridade em reforma da saúde.

“O sistema de registro médico foi projetado para maximizar o faturamento dos serviços do setor, não para coletar estatísticas nacionais de saúde, da forma como está sendo usado atualmente.”

 

Em 1949, diz Makary, os EUA adotaram uma forma internacional que usava os códigos de faturamento da classificação de doenças para classificar as causas de morte.

“Naquela época, era pouco reconhecido que erros de diagnóstico, erros médicos e a ausência de critérios de segurança poderiam resultar na morte de alguém”, diz Makary, “e por causa disso, os erros médicos foram involuntariamente excluídos das estatísticas nacionais de saúde”.

Em seu estudo, os pesquisadores examinaram quatro estudos separados que analisaram dados da taxa de mortalidade de 2000 a 2008. Em seguida, usando taxas de internação de 2013, extrapolaram que, com base em um total de 35.416.020 internações, 251.454 mortes resultaram de um erro médico, Os pesquisadores dizem que isso em dias atuais representa 9,5% de todas as mortes a cada ano nos EUA.

De acordo com o CDC, em 2013, 611.105 pessoas morreram de doenças cardíacas, 584.881 morreram de câncer e 149.205 morreram de doença respiratória crônica – as três maiores causas de morte nos EUA. O número recentemente calculado de erros médicos coloca essa causa de morte atrás do câncer, porém à frente das doenças respiratórias.
“As principais causas de morte relatadas pelo CDC indicam as prioridades na saúde pública e a quantidade de dinheiro direcionado para pesquisa em nosso país”, disse Makary. “Neste momento, o câncer e as doenças cardíacas recebem muita atenção, mas, como os erros médicos não aparecem na lista, esse problema não recebe o financiamento e a atenção que merece.”

Os pesquisadores advertem que a maioria dos erros médicos não se deve especificamente a profissionais ruins, e que denunciar esses erros não deve ser tratado com punição ou ação judicial. Em vez disso, dizem os pesquisadores, a maioria dos erros se dão devido a problemas do sistema, incluindo cuidados mal coordenados, critérios de segurança desconectados, ausentes ou subutilizados e outros protocolos, além da variação injustificada nos padrões da prática médica que precisam de responsabilidade.
“A variação injustificada nos cuidados de saúde é endêmica”, diz Makary.

“Desenvolver protocolos de consenso que simplifiquem a entrega de medicamentos e reduzam a variabilidade podem melhorar a qualidade e reduzir os custos nos serviços de saúde. Mais pesquisas sobre a prevenção de erros médicos são necessárias para resolver esse problema.”